O senador Ciro Nogueira decidiu substituir a equipe responsável por sua defesa no caso envolvendo o Banco Master apenas quatro dias após ser alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal. A saída do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados foi confirmada nesta segunda-feira em nota assinada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido nacionalmente como Kakay.
No comunicado, o escritório informou que a decisão ocorreu “em comum acordo” com o parlamentar. Entretanto, aliados de Ciro afirmam que a mudança partiu do próprio senador e integra uma reorganização da estratégia política e jurídica diante do avanço das investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações da Polícia Federal, Ciro Nogueira aparece como possível “destinatário central” de vantagens indevidas supostamente pagas por pessoas ligadas ao Banco Master. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Nos bastidores, pessoas próximas ao senador afirmam que a troca da defesa ocorre diante da expectativa de novos desdobramentos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Até o momento, ainda não foi divulgado quem assumirá oficialmente a representação jurídica do parlamentar.
Paralelamente à reformulação da defesa, aliados discutem cenários políticos para as eleições de 2026. Entre as possibilidades analisadas está a desistência de uma nova candidatura ao Senado para disputar vaga na Câmara dos Deputados. O movimento permitiria a manutenção do foro privilegiado no STF caso o senador seja eleito.
A avaliação entre interlocutores próximos é que a permanência do processo no Supremo poderia representar um cenário juridicamente mais previsível. Além disso, aliados reconhecem que a repercussão das acusações fragilizou politicamente o presidente nacional do Progressistas.
A operação da Polícia Federal causou forte impacto entre lideranças do Centrão. No dia da ação, Ciro permaneceu recluso em sua residência, em Brasília, evitando aparições públicas por orientação jurídica. Segundo aliados, ele recebeu telefonemas de integrantes da bancada do PP e visitas de lideranças próximas, incluindo o deputado Doutor Luizinho.
Na sexta-feira, o senador se manifestou publicamente pela primeira vez após a operação. Em publicação nas redes sociais, afirmou que existe uma tentativa de “manchar” sua honra pessoal e classificou o caso como perseguição política.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

