Referência para a capital, a Praça Diogo de Vasconcelos, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, mais conhecida entre os belo-horizontinos como Praça da Savassi, vive entre o glamour do passado, o status de ter se consolidado com centro de uma das áreas comerciais mais nobres da capital e desafios como a depredação e a preocupação com a segurança.

Em agosto, a região enfrentou uma das ocorrências mais violentas dos últimos anos, quando uma perseguição policial terminou em tiroteio e morte do fugitivo, nas proximidades do Pátio Savassi. Mas, apesar dos problemas, o local continua atraindo empreendimentos, especialmente os do segmento de luxo.

Uma década depois da última grande reforma nos principais quarteirões, a equipe do Estado de Minas percorreu ruas e avenidas por onde se multiplicam lojas, bares, restaurantes e casas noturnas para mostrar como a comunidade enfrenta a retomada do movimento após o alívio das apreensões com a pandemia.

As quatro fontes que hoje são uma das marcas da Praça da Savassi foram implantadas em 2012. Na década de 90, a praça tinha as ruas Pernambuco e Antônio de Albuquerque abertas ao tráfego, com estacionamentos caóticos, gerenciados, em sua maioria, por flanelinhas.

Além dos chafarizes, o projeto de revitalização tirou os carros dos quarteirões fechados da praça e trouxe vida nova à região, mas não sem causar transtornos. As obras, reivindicação antiga de moradores e lojistas, duraram 14 meses e custaram R$ 11,8 milhões aos cofres públicos.

Desde então, a prefeitura diz que faz manutenções frequentes na área, mas os esforços não têm sido suficientes para manter a beleza e o charme de quando a praça foi revitalizada pela última vez.

Dez anos depois, quem passa pela Praça da Savassi percorre o trajeto desviando de buracos e imperfeições nas calçadas. Para tentar evitar acidentes, moradores e comerciantes até improvisaram uma sinalização das maiores armadilhas com galhos de árvores.

Mesmo assim, o vendedor Victor Dutra, de 23 anos, que trabalha em uma loja na esquina da Avenida Cristóvão Colombo, já presenciou várias quedas de pedestres.

Direto eu vejo pessoas tropeçando na calçada. Todos os dias, a gente vê uma pessoa caindo por causa dos buracos e de desníveis. É perigoso. Por aqui passam idosos, grávidas, mães com crianças pequenas e bebês”, disse.

Ele acredita que a manutenção deveria ser mais zelosa. “Não é uma praça convidativa. Não dá vontade de se sentar ali pra ler um livro ou até ficar mexendo no celular. A situação foi piorando com o passar dos anos. Há um tempo atrás era mais gostoso ficar na praça; hoje, não é tão confortante assim”, comenta Victor, que trabalha na região há quase cinco anos.

Áreas de gramado que já foram verdes e cheias de vida agora são, em grande parte, ocupadas só por mato seco e com falhas.

Quando cheguei aqui, quatro anos depois da reforma, a praça já não estava tão bonita. Não houve manutenção. Nós tentamos, como lojistas, cuidar do jardim. Você pode ver que onde está mais verde é porque o lojista tem esse esforço. O ideal seria que todo mundo fizesse”, afirma Ananda Domingos, sócia de um bar e sorveteria no quarteirão fechado da Rua Antônio de Albuquerque.

Ela também aponta o descaso da própria população com o espaço. “Nós tentamos fazer o gramado aqui na porta, mas o pessoal pisa, não respeita, joga lixo. Por fim, acabamos deixando pra lá. Temos planos de revitalizar este jardim na frente da loja, agora que nosso vizinho saiu”, relata.

Questionada sobre a manutenção do gramado, a Prefeitura de BH se limitou a dizer que a capina é realizada cinco vezes por ano.

No quarteirão da Rua Antônio de Albuquerque com Rua Alagoas, rabiscos de pichadores também começam a poluir o metal dos bancos instalados nos espaços de convivência.

Nem a estátua em homenagem ao escritor mineiro Roberto Drummond, que fica no final da rua, escapou: em agosto, recebeu escritos com tinta amarela. O ato de vandalismo aconteceu por volta das 2h30. E não foi o primeiro.

Em 2015, por exemplo, a cabeça da escultura apareceu pintada de vermelho. A PBH informou que a Subsecretaria de Zeladoria Urbana está retirando novamente as pichações dos quarteirões fechados e de bancos da praça.

A última limpeza, segundo o município, ocorreu no início de agosto. Mas, apesar do esforço, nem a fachada das lojas escapa da pichação. “Minha loja foi pichada de vermelho recentemente. É mais um custo que a gente tem”, conta Ananda.


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