A decisão do deputado federal Eduardo Bolsonaro de permanecer nos Estados Unidos e se licenciar da Câmara dos Deputados não passou por discussão com a cúpula do PL. Segundo Altineu Côrtes, vice-presidente da Casa e ex-líder do partido, a medida foi pessoal e não havia sido antecipada a outros integrantes da legenda. Até o final da manhã desta terça-feira, assessores do partido também não haviam sido informados oficialmente.
“Foi uma decisão pessoal e corajosa. Soubemos no momento em que ele comunicou a todos, ninguém sabia. Ele não tinha comentado nada, mas o partido respeita a decisão dele”, afirmou Altineu Côrtes.
Em um vídeo divulgado nesta terça-feira, Eduardo Bolsonaro afirmou que o líder da oposição na Câmara, coronel Zucco, assumiria seu posto na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden). No entanto, Côrtes esclareceu que a substituição ainda não foi definida e que Zucco tem desempenhado um bom trabalho como líder da oposição.
“O nome ainda será decidido. Pode ser o Zucco ou outro nome. Ele tem grande relação com Eduardo e vem fazendo um excelente trabalho na liderança da oposição”, afirmou.
Aliados do PL avaliam que Eduardo Bolsonaro optou por permanecer nos Estados Unidos para evitar a apreensão de seu passaporte. O parlamentar teria recebido aconselhamento sobre os riscos de retornar ao Brasil diante da possibilidade de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinasse sua prisão.
Em nota, o deputado Zucco afirmou que aguardará uma decisão oficial do partido sobre a presidência da Creden.
“Recebi o convite do meu colega e amigo, deputado Eduardo Bolsonaro, para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden). A indicação do meu nome também foi endossada pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, aguardarei a definição da distribuição das comissões por parte da presidência da Câmara antes de me manifestar oficialmente sobre o tema”, declarou.
Deputados do PL reconhecem que Eduardo, como presidente da comissão, teria mais status para atuar na defesa do pai em eventos internacionais, estratégia que já vinha adotando. Nos últimos meses, ele liderou uma campanha contra Moraes e, no início de fevereiro, esteve em Washington, capital dos EUA, retornando à cidade na semana passada.
Foto.: Beto Barata/ PL

