O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus (PSD), disse que o governo Zema passou três anos falando do passado e esqueceu de trabalhar.

“Este é um governo que já passou. Está faltando quatro, cinco meses para acabar. Ele se esqueceu que, em vez de trabalhar e cuidar das estradas que ele deixou acabar, em vez de cuidar da saúde do nosso Estado, de se preocupar com a educação, eles se preocuparam única e exclusivamente em denegrir a imagem das pessoas”, declarou o deputado.

Na última semana, Zema e Agostinho trocaram acusações nas redes sociais após a ALMG derrubar o veto parcial do governador ao reajuste do funcionalismo público. Em entrevista ao “1 Centavo Podcast”, Zema disse que o parlamentar é “nocivo” a Minas e que tem um “plano de poder”.

“O governador me chamou pessoalmente no BDMG, no dia 21 de janeiro do ano passado, na parte da manhã, para me convidar para ser o vice. E eu disse a ele: ‘Governador, nós estamos muito distantes da eleição’. E aí fica ele dando entrevista dizendo que eu que estou pensando na eleição. Ele há um ano e meio atrás estava me chamando para ser vice. Quem tem plano pessoal de poder é o governador Zema”, afirmou Agostinho.

O presidente da Assembleia Legislativa chamou o governo de mentiroso e disse que não vai renunciar ao cargo de chefe do Legislativo por causa da campanha eleitoral.

Ele também criticou a decisão do governo de Minas de acionar o Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar os percentuais adicionais de 14% para a saúde e a segurança e 33% para a educação.

Confira trechos da entrevista:

O governador entrou no STF contra a derrubada do veto do reajuste dos servidores. Como o senhor avalia essa decisão de acionar a Justiça?

É tradicional deste governo. O que a gente viu nas demais votações foi a mesma atitude. Todos se lembram do caso do IPVA. A Assembleia votou o congelamento do IPVA, ou seja, que fosse utilizado o mesmo valor cobrado em 2021 para ser cobrado em 2022, e o governador foi ao Tribunal de Justiça e até ao Supremo Tribunal Federal.

É um governo que não dialoga. É um governo que em vez de conseguir montar uma base na Assembleia, em vez de se abrir ao diálogo com os servidores públicos, médicos, professores, com aqueles que prestam serviço à nossa população, se fecha a isso.

É fundamental dizer que o governo Zema conseguiu essa proeza em Minas Gerais: a direita extrema e a esquerda radical votassem juntos os projetos e ele fosse ao Supremo, ao Tribunal de Justiça, para judicializar.

Isso é virar completamente as costas à democracia. O Regime de Recuperação Fiscal [ele] também foi ao Supremo. Enfim, o governo Zema é inovador em muitas áreas. A primeira delas é não dialogar, não conversar com os servidores e não ouvir aqueles médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem que tiveram durante todo esse período atendendo as pessoas e correndo risco de vida, de contaminar sua família.

E aí o governo agora veta um aumento, por exemplo, para os profissionais da saúde que não têm aumento, segundo o Sindsaúde, há 10 anos. Eu fiz questão de levantar o percentual do IPCA nos últimos dez anos. E o aumento, se fosse seguido o IPCA como diz a Constituição, passa de 80%. E ele vai e veta o aumento de 14% para os profissionais da saúde, que estiveram à frente da pandemia. É uma falta de reconhecimento por parte desse governo.

Nada mais nos surpreende em um governo que deixou de dialogar com a sociedade e com aqueles que cuidam das crianças nas escolas, dos doentes nos hospitais e que cuidam da nossa segurança no dia a dia nas ruas.

Há uma série de projetos do governo em diferentes estágios de tramitação na ALMG. Há possibilidade de algum projeto do governador ser pautado em plenário até o fim do ano?

O que a gente vê é que o governo nas duas últimas votações perdeu por margem expressiva: 55 a 3 e 50 a 0. E dizia à imprensa e àqueles que os entrevistavam, o próprio governador e seus assessores mais próximos, que eles tinham os votos para votar na Assembleia o Regime de Recuperação Fiscal. Cadê esses votos? Cadê esse apoio? Onde está o governo que consegue que o PSOL e o PL do Bolsonaro votem junto contra ele? Qual é a força de um governo como esse?

O problema é que foi um governo que ficou três anos falando do passado e esqueceu de trabalhar.

O governo Zema vive agora o seguinte: este é um governo que já passou. Está faltando quatro, cinco meses para acabar. Ele se esqueceu que, em vez de trabalhar e cuidar das estradas que ele deixou acabar, em vez de cuidar da saúde do nosso Estado, de se preocupar com a educação, eles se preocuparam única e exclusivamente em denegrir a imagem das pessoas.

E agora, depois de três anos sem nada a realizar, querem continuar, de forma agressiva, judicializando as questões porque não conseguem nem mostrar o serviço que fizeram nem convencer as pessoas de que fizeram um governo competente.

Será que a vida do mineiro melhorou nos últimos quatro anos? A educação melhorou para o seu filho? Será que a saúde teve melhor? É isso que vai pautar as discussões nos próximos meses.

Na semana passada, Zema disse que o senhor tem um plano pessoal de poder. O senhor é o principal cotado para ser o vice da chapa de Kalil ao governo de Minas. Essa situação influencia a postura como presidente da ALMG?

Não influencia de maneira nenhuma. Quem tem um plano pessoal de poder é alguém que nunca participou da política e resolveu se candidatar. Eu estou na política há vários anos. Portanto, eu realmente há vários anos convivo no poder.

Quem tem plano pessoal de poder é aquele que sai lá da cidade e coloca seu nome para se candidatar. Digo e reafirmo: o governo Zema só sabe criticar. Quem dera se parasse de criticar e fosse trabalhar. É esse meu conselho ao governador: pare de criticar, governador, vai trabalhar, vai cuidar das estradas, da saúde das pessoas, da educação dos nossos filhos e dos nossos netos.

Será que a população está satisfeita com o que recebe? Será que a população quando entra para abastecer o seu carro está satisfeita com esse governo que apoia o Bolsonaro, que deixou o combustível chegar a R$ 8? Será que a população está satisfeita com esse governo que apoiou o governo Bolsonaro e não trouxe R$ 1 à Minas Gerais de investimento?

O que de diferente Bolsonaro fez em Minas depois de tanto puxa-saquismo que Zema fez ao governo federal? Ele é que tem plano pessoal de poder. Ele que saiu de onde saiu para poder ser candidatar. Eu sou deputado há quatro mandatos. Tenho uma história no poder. É diferente dele.

Fonte: O Tempo