Por Renato Cunha e Fabio Nattoli
O líder do PT na Câmara dos Deputados, deputado federal Reginaldo Lopes, defendeu que o melhor caminho para fortalecer a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas discussões em Minas Gerais é não ter um candidato ao governo do Estado.
Em entrevista ao Novojornal, ele colocou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), como “possível aliado”, afirmou que a maioria do partido entende que a candidatura ao Senado é prioritária no Estado, mas enfatizou que o debate se dá de forma unificada com as articulações nacionais em torno das composições de Lula. Hoje, o nome de Reginaldo Lopes está colocado como pré-candidato ao Senado.
“O meu primeiro compromisso é construir em Minas as melhores condições para a vitória do presidente Lula. Então, nós estamos debatendo. Nós estamos apresentando o meu nome como pré-candidato ao Senado. Lula apoia o meu nome. O partido já oficializou isso para os aliados e possíveis aliados. Por exemplo, para o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Praticamente todo o nosso partido compreende, não na totalidade, mas na ampla maioria, que a eleição em Minas também está, nesse momento, polarizada entre a candidatura de Alexandre Kalil e a do governador RomeuZema. Portanto, eu acredito que é melhor para a candidatura do presidente Lula o PT não ter candidato ao governo do Estado em Minas Gerais. Agora, qual é o modelo que nós vamos compor, qual é a aliança que nós vamos estabelecer no Estado? Nós estamos debatendo”, explicou.
Na avaliação de Reginaldo Lopes, não é necessário que o partido tenha um candidato declarado ao governo. Ele afirma que levantamentos internos do partido mostram bom desempenho quando seu nome é vinculado ao de Lula. Com isso, segundo ele, seria possível até que o PT fizesse um palanque para o ex-presidente apenas com uma candidatura ao Senado.
“O nosso partido não precisa nem coligar com algum candidato ao governo do Estado. Nós podemos construir um palanque via o Senado para o presidente Lula. É um formato. Por que eu estou dizendo isso? Pois será muito difícil o presidente Lula e o nosso partido apoiar uma candidatura ao governo sem que nós estejamos juntos compondo essa chapa. Não tem sentido um partido da importância do PT e também com candidatura do presidente Lula não compor a chapa majoritária no nosso Estado”, afirma Reginaldo Lopes.
‘Inflação ataca o bolso do brasileiro’
O líder do PT na Câmara disse que a vitória do ex-presidente Lula nas eleições presidenciais de outubro vai ser fundamental para o PT reconstruir o país, “que foi destruído pelo governo Bolsonaro”.
“Nos últimos 12 meses tivemos uma inflação de 11,3%, a maior marca nos últimos 19 anos. No mês de março, o governo de Bolsonaro conseguiu a proeza de alcançar o maior índice inflacionário em 28 anos: 1,62%. No ano, a variação acumulada já é de 3,20%”, afirma o parlamentar.
Reginaldo Lopes avalia que a inflação “deixa o povo brasileiro a cada dia mais empobrecido, vítima de modelo que concentra a renda e produz miséria e desesperança”.
“Fazer as compras do supermercado ficou em média 31,5% mais caro desde o começo de 2020, conforme os dados de alimentação em domicílio do IPCA. Das 50 maiores altas, 42 são nos alimentos. Com o botijão de gás atingindo o valor de R$ 130, o salário mínimo compra apenas 9,32 botijões. Quase 11% do salário é destinado a esse item”, ressalta.
Segundo o deputado petista, um país que é produtor de alimentos “ter cerca de 20 milhões de pessoas passando fome é inaceitável”. “Lamentavelmente, as perspectivas para os próximos meses são as piores possíveis. Prevê-se aceleração inflacionária, carestia interminável, redução do poder de compra dos assalariados e aposentados”, disse.
Para Reginaldo Lopes, “além da incapacidade do governo no combate à inflação, há ainda a total inapetência para gerar empregos e renda, num país em que é visível o empobrecimento da classe média e dos trabalhadores”.
“Temos hoje, entre desempregados, desalentados e subocupados, cerca de 27,3 milhões de pessoas.O aumento do poder de compra da classe média e das camadas populares é uma das saídas para o atoleiro econômico e social atual, junto com a valorização do salário mínimo, o combate à inflação, o estímulo à agricultura familiar e outras políticas públicas”, finaliza o líder petista.

