Dois mil e vinte e dois foi intenso para Lô Borges. Ele completou 70 anos – e 50 de carreira –, lançou “Chama Viva” em abril, o quarto disco de inéditas em quatro anos, e celebrou o cinquentenário de dois álbuns-chaves em sua trajetória: “Clube da Esquina” e “Lô Borges”, popularmente conhecido como “Disco do Tênis”. Mas o ano ainda não terminou e sempre há tempo para novidades, especialmente para um artista que diz não querer viver só de “déjà vu”.
Quando Lô Borges subir ao palco da Sala Minas Gerais para dois shows na quarta (21) e na quinta-feira (22), às 20h30, com ingressos esgotados, será não só a estreia dele na conceituada sala de concertos, mas também a primeira vez que ele tocará com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.
“É uma alegria, uma honra encerrar 2022 assim, gloriosamente. Eu não esperava o convite da Filarmônica, foi um presente para mim. Tudo isso coroa minha trajetória, me senti muito homenageado como artista, músico e compositor”, diz Lô Borges.
O concerto reúne 16 canções de diferentes fases da carreira de Lô, que terá, além da Filarmônica, a companhia do grupo DoContra e seus contrabaixistas Taís Gomes, Valdir Claudino, Neto Bellotto, Walace Mariano, Pablo Guinez – estes últimos três também são integrantes da orquestra, e da banda que o acompanha há tempos, formada por Renato Saldanha (violão), Renato Valente (contrabaixo), Robinson Matos (bateria) e Henrique Matheus (guitarra).
O repertório diversificado é, para o compositor, uma síntese desses 50 anos na estrada. Canções feitas com os parceiros Márcio Borges, Milton Nascimento, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Makely Ka estão na lista – “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”, “O Trem Azul”, “Clube da Esquina”, “Para Lennon e McCartney”, “Dínamo”, “Feira Moderna” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” são algumas delas.
Lô escolheu músicas com as quais se sente mais à vontade como cantor, já que será o solista das duas noites. A seleção do setlist foi feita a quatro mãos com Neto Bellotto, que assina a direção musical do espetáculo, bem como os arranjos e a orquestração da obra “lôborgeana” transposta para o universo orquestral.
Lô e Bellotto trabalharam nas releituras durante todo o ano. “Tudo aconteceu de uma forma muito natural”. “Ele me sugeria muita coisa, vi os arranjos acontecerem e acabei aprovando 90% de primeira”, conta o eterno integrante do Clube da Esquina.
Neto Belloto tem 32 anos e é alucinado, como ele mesmo diz, pela obra do agora parceiro. Principal contrabaixista da Filarmônica desde 2016, ele considera Lô Borges um dos maiores compositores da história da música popular brasileira e o projeto que agora se concretiza é, de acordo com o músico, “um sonho antigo e uma das maiores realizações da minha vida, além de uma responsabilidade enorme”.
“É uma noite muito especial e histórica. É até difícil escolher canções da obra do lô, são tantas músicas que ficaram de fora, teríamos que fazer uma segunda, uma terceira edição”, pontua Bellotto. “Fizemos a escolha do repertório com muito carinho pensando nesses 50 anos de carreira e também no público. É importante o público ver esse momento e poder celebrar e cantar junto com a gente”, ele completa.
A direção da Filarmônica de Minas Gerais no palco da Sala Minas Gerais ficará a cargo de José Soares, regente associado da companhia.
Para ele, a parceria entre Filarmônica e Lô Borges ajuda a eliminar rótulos e barreiras entre o que se convencionou classificar de popular e erudito, e vai ao encontro de uma das principais missões da orquestra que, com tantas vertentes estéticas à disposição, pode transitar entre diversos universos e manifestações musicais, ampliando seu repertório.
“Essa parceria é mais uma ala da grande capilaridade que uma instituição como a Filarmônica tem em Minas Gerais. Isso só mostra que a orquestra é um organismo versátil nos dias atuais e que temos que tirar um pouco esse rótulos que não só atrapalham, mas criam barreiras, e a música sinfônica, a música de orquestra, une a todos, de todas as idades”, destaca José Soares.
Mantendo o ritmo de lançamento dos últimos anos, Lô Borges irá adicionar dois álbuns de inéditas a sua discografia em 2023.
Em 23 de janeiro, “Não Me Espere na Estação” chega às plataformas. O álbum marca a continuidade da parceria de Lô com César Maurício, cantor, compositor e poeta que integrou o Virna Lisi e o Radar Tantã e escreveu as letras deste novo projeto. “Fiz todas as músicas na guitarra, diferentemente do ‘Chama Viva’, que compus todo no órgão”, comenta Lô.
No segundo semestre, será a vez de “A Estrada” nascer e registrar, mais uma vez, a tabelinha do cantor com o irmão, Márcio Borges. As músicas surgiram a partir dos toques de Lô em sua viola caipira: “Gosto de diversificar de disco para disco. Música inédita é minha diversão predileta”.

