O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que viajará aos Estados Unidos no início de março para um encontro bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump. A reunião deverá ocorrer na Casa Branca, em Washington, e foi confirmada por Lula ao chegar ao Panamá, onde participa como convidado especial do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado nesta quarta-feira.
Em rápida conversa com jornalistas na chegada ao hotel na Cidade do Panamá, o presidente explicou a motivação da viagem e destacou a importância do diálogo direto entre os dois países. “No começo de março eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro”, afirmou.
Segundo Lula, o encontro servirá para discutir a relação bilateral e os desafios globais. “Para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos”, acrescentou. O presidente também demonstrou confiança na retomada de uma agenda internacional baseada no diálogo e na cooperação. “Eu estou convencido que a gente vai voltar à normalidade logo, que a gente vai fortalecer o multilateralismo e que a gente vai fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós”, disse.
Lula e Trump conversaram por telefone na segunda-feira. De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a ligação abordou temas como a situação política e humanitária na Venezuela, o plano de paz para a Faixa de Gaza e ações conjuntas de combate ao crime organizado internacional.
Ainda no Panamá, o presidente brasileiro foi questionado sobre a crise venezuelana e a presença militar dos Estados Unidos no Caribe. Lula afirmou que já conversou duas vezes com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nos dias seguintes à invasão militar norte-americana em Caracas, mas evitou aprofundar o diálogo naquele momento.
“Eu conversei duas vezes com a presidente Delcy, mas não entrei em detalhe porque ela estava muito preocupada com os acontecimentos, que eram muito recentes”, relatou. Segundo ele, um novo contato deve ocorrer em breve. “Eu proximamente vou falar com a presidente Delcy. Eu espero que ela consiga dar conta do recado”, afirmou.
Lula defendeu o respeito à soberania venezuelana e a busca por uma solução interna para a crise. “É importante que o presidente Trump permita que a Venezuela possa cuidar da sua soberania, cuidar dos interesses democráticos da Venezuela”, disse. Para o presidente, o momento exige cautela. “Está tudo muito recente e eu acho que nós temos que ter um pouco de paciência, porque quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano”, concluiu.
O presidente também afirmou que tem dialogado com outros líderes internacionais em defesa do multilateralismo. Ele citou conversas recentes com o presidente da França, Emmanuel Macron, com o presidente do Chile, Gabriel Boric, e com o próprio Donald Trump, reforçando a articulação diplomática brasileira.
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