O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta quarta-feira (28) que o Exército continuará investigando os militares envolvidos na elaboração de uma carta que sugeria um golpe após as eleições de 2022. Múcio deixou claro que, mesmo aqueles de alta patente, não estarão isentos de punição.

“Não é porque são de alta patente que estão livres de punição. Eles têm obrigações com a disciplina das Forças Armadas. Foram militares de alta patente que tentaram desestabilizar o equilíbrio do Exército. O general prontamente abriu o inquérito, identificou os culpados, e eles serão punidos”, declarou o ministro.

O documento em questão foi encontrado no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante uma investigação da Polícia Federal. O comandante do Exército na época, general Marco Antônio Freire Gomes, considerou a carta como uma tentativa de pressioná-lo a aderir a um golpe de Estado.

De acordo com o Exército, 37 militares assinaram a carta, e inquéritos foram abertos para investigar a conduta de quatro deles. Até o momento, 12 coronéis, 9 tenentes-coronéis, 1 major, 3 tenentes e 1 sargento já foram punidos de acordo com o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE).

As declarações de Múcio foram feitas após uma cerimônia em comemoração aos 25 anos do Ministério da Defesa, em Brasília. Ele enfatizou que as Forças Armadas precisam estar livres de suspeitas para manter sua força e credibilidade: “Tudo deve ser esclarecido”, concluiu o ministro.