A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º) a terceira fase da Operação Rent a Car, que investiga suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara dos Deputados. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teve como principais alvos pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada do partido na Câmara. O parlamentar, entretanto, não foi alvo de mandados nesta etapa da investigação.
Segundo a Polícia Federal, a nova fase busca aprofundar as apurações sobre a movimentação e a destinação de recursos públicos que, supostamente, teriam sido desviados por meio de contratos relacionados à utilização da cota parlamentar. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
Entre os principais alvos da operação estão pessoas que teriam realizado saques em espécie de valores anteriormente apreendidos pela Polícia Federal, além de um advogado mineiro que apresentou informações relacionadas à venda de um imóvel utilizada por Sóstenes Cavalcante para justificar a origem de mais de R$ 460 mil encontrados em dinheiro vivo durante a fase anterior da investigação.
Durante o cumprimento dos mandados desta quarta-feira, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 160 mil em espécie, além de US$ 502, aparelhos celulares, um notebook e relógios de luxo. Em dois dos endereços vistoriados no Distrito Federal, parte do dinheiro foi localizada escondida dentro de livros falsos, segundo informou a corporação.
A investigação apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de um esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para conferir aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos. Os investigadores também afirmam existir sinais de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas durante o andamento das apurações.
A Operação Rent a Car começou a investigar contratos relacionados ao uso da cota parlamentar destinada ao custeio das atividades dos deputados federais. O benefício é utilizado para despesas como aluguel de escritórios, passagens aéreas, combustíveis, hospedagem, aluguel de veículos e contratação de serviços necessários ao exercício do mandato parlamentar.
Segundo a hipótese investigada, uma empresa de locação de veículos contratada por parlamentares e remunerada com recursos da cota parlamentar teria continuado recebendo pagamentos mesmo após ter sido dissolvida de forma considerada irregular.
Na etapa anterior da investigação, realizada em dezembro do ano passado, a Polícia Federal cumpriu buscas em endereço ligado a Sóstenes Cavalcante e apreendeu mais de R$ 460 mil em espécie. Na ocasião, o deputado afirmou que o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Segundo ele, o comprador optou por realizar o pagamento em dinheiro e os valores ainda não haviam sido depositados em razão da rotina intensa de trabalho.
Posteriormente, documentos obtidos durante a investigação mostraram que a escritura pública da venda do imóvel somente foi formalizada em cartório onze dias após a apreensão do dinheiro. A escritura também registrou circunstâncias consideradas incomuns, como a ausência do recolhimento prévio do imposto de transmissão e a dispensa, pelo comprador, de certidões fiscais do imóvel e de certidões cíveis e criminais do vendedor.
Até a publicação desta reportagem, Sóstenes Cavalcante ainda não havia se manifestado sobre a nova fase da operação. Na etapa anterior da investigação, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas e classificou a ação da Polícia Federal como “covarde” em vídeo divulgado nas redes sociais. As investigações prosseguem para esclarecer a origem, a movimentação e o destino dos recursos sob suspeita.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

