O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), encerra 2024 em meio a um cenário político de contraste: enquanto evita manifestações diretas sobre o indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) por suposto envolvimento em um plano golpista de 2022, celebra avanços significativos nas finanças do estado, especialmente no âmbito da dívida pública.

Zema adotou uma postura de ambiguidade em relação ao bolsonarismo, oscilando entre acenos e distanciamentos. Em julho, defendeu Bolsonaro após o indiciamento no caso das joias e chegou a afirmar que o ex-presidente seria o nome ideal da direita para 2026. Ainda assim, manteve certa distância durante as eleições municipais em Belo Horizonte, onde Bolsonaro apoiou Bruno Engler (PL). Zema preferiu priorizar Mauro Tramonte (Republicanos) no primeiro turno, que terminou em terceiro lugar. No segundo turno, gravou apoio a Engler, mas evitou presença ativa, dedicando-se a campanhas fora de Minas. O resultado foi a vitória de Fuad Noman (PSD) na capital.

No campo administrativo, Zema trabalhou para resolver questões históricas do estado. Após negociações, em novembro foi homologado um acordo de R$ 170 bilhões com a União relativo à tragédia de Mariana. Em paralelo, a dívida de Minas, atualmente em R$ 165 bilhões, avançou sob o Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O governador, no entanto, passou a preferir o programa de renegociação de dívidas, aprovado no Congresso Nacional. Proposto pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), o programa beneficia estados superendividados, sendo Minas o mais favorecido por seus ativos disponíveis para negociação.

Zema justificou a urgência dessas medidas. “Uma dívida corrigida por IPCA mais 4% ao ano é insustentável em um cenário de crescimento econômico baixo. Isso é matemática básica”, afirmou em dezembro. A nova renegociação foi mais bem recebida na Assembleia Legislativa em comparação ao RRF, cuja adesão, proposta em 2019, nunca avançou.

Embora tenha acumulado vitórias no legislativo, como a aprovação de mudanças na contribuição previdenciária dos servidores, Zema enfrentará novos desafios em 2025. Os projetos de privatização da Cemig e Copasa, promessas do primeiro mandato, ainda encontram resistência na Assembleia. Apesar disso, o governador demonstrou otimismo ao reforçar seu compromisso com reformas estruturantes para viabilizar investimentos no estado.

Nas relações com o governo federal, Zema também manteve uma postura estratégica. Encontrou-se com o presidente Lula (PT) apenas uma vez no ano, em fevereiro, para tratar de acordos relacionados à tragédia de Mariana e à dívida estadual. Apesar de sua base de apoio ser formada majoritariamente pela oposição ao governo federal, o governador mantém diálogo pontual com lideranças nacionais, equilibrando interesses locais e estratégias políticas.

No final de 2024, Zema reuniu-se com a bancada mineira do PL, buscando alinhamento em pautas estaduais, especialmente na área de segurança pública, foco do encontro. A relação entre o governador e os parlamentares do PL, embora marcada por divergências em algumas votações, mostra sinais de reaproximação.

Para o futuro, Zema traçou dois objetivos principais: trabalhar na construção de uma candidatura de centro-direita à Presidência, não descartando seu próprio nome, e garantir a eleição de seu vice, Mateus Simões (Novo), como seu sucessor em Minas Gerais. A estratégia reflete seu interesse em consolidar sua influência política tanto em âmbito estadual quanto nacional.

Seja em silêncio sobre questões delicadas, seja comemorando conquistas fiscais, Zema termina o ano navegando em um cenário político e econômico desafiador. Em 2025, sua liderança será novamente posta à prova, com decisões cruciais à frente, tanto no campo administrativo quanto no eleitoral.

 

Foto: André Cruz / Digital MG