Por Geraldo Elísio (Repórter)

O Instituto Butantã, em São Paulo, Brasil, desenvolve trabalhos importantes no combate à epidemia de Covid 19. A vacina é parte de consórcio internacional onde o órgão é o principal produtor, com pelo menos 55% da fabricação do medicamento. E compromisso de fornecer a vacina ao Brasil e países de baixa e média renda. Isto consta de site da Wikipédia.

Vacina produzida integralmente no Brasil, sem depender de importação. Ocorre porque a fábrica de Influenza do Butantã pode produzir o insumo com tecnologia de vacina inativada com base em ovo. “Segundo Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica do instituto, a nova vacina tem perfil alto de segurança”.

– Sabemos produzir a ButanVac, temos tecnologia para isso e sabemos ,vacinas inativadas são eficazes contra a Covid-19.

“Poder entregar mais vacinas é o que precisamos em um momento tão crítico”.

“A tecnologia da ButanVac utiliza vetor viral que contém a proteína Spike do coronavírus de forma íntegra. O vírus utilizado como vetor nesta vacina é o da Doença de Newcastle, infecção que afeta aves. Por esta razão, o vírus se desenvolve bem em ovos embrionados permitindo eficiência produtiva num processo similar ao utilizado na vacina da gripe.

Em contraste com o vírus da influenza, o vírus da Doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, sendo alternativa muito segura na produção. “Vírus inativado para a formulação facilita sua estabilidade e deixa a vacina ainda mais segura”.

O desenvolvimento da ButanVac não afeta a parceria do Butantã com a Sinovac, nem causará alterações no cronograma de envio de insumos da China para a CoronaVac – vacina produzida atualmente pelo instituto contra a Covid-19. De acordo com o presidente Dimas Covas, a tecnologia utilizada na ButanVac é uma forma de aproveitar o conhecimento adquirido com o desenvolvimento da CoronaVac.

O que poucos sabem é das ligações do Butantã com o Estado de Minas Gerais. Os paulistas se orgulham tanto e divulgam via internet ter o mesmo sido criado pelo governo deles, porém omitindo a importante participação de cientista mineiro.

Onde entra Minas Gerais?

Vital Brasil Mineiro da Campanha foi um médico cientista, imunologista e pesquisador biomédico brasileiro de renome internacional nascido em 28 de abril de 1865, na cidade de Campanha, sul de Minas Gerais. E faleceu em 8 de maio de 1950, no Rio de Janeiro. Obteve renome internacional.

Vital Brasil estudou medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, enfrentando dificuldades financeiras. Formou com brilhantismo em 1891. Ao retornar a São Paulo ele clinicou em várias cidades do interior do Estado. Nessa época, presenciou a morte de várias pessoas, principalmente lavradores, vítimas de picadas de cobras e se interessou pela questão.

Médico sanitarista participou das brigadas de combate à febre amarela e à peste bubônica em várias cidades paulistas. Além do seu trabalho médico, Vital Brazil criou uma das primeiras escolas brasileiras a alfabetizar crianças de dia e adultos à noite. Desenvolveu materiais de informação, especialmente voltados para a população do campo, sobre como se proteger das cobras e outros animais peçonhentos. Criou uma caixa de madeira, barata e segura, para que os fazendeiros pudessem capturar as cobras; firmou convênios com as estradas de ferro, para transportá-las, pois eram essenciais à fabricação do soro.

Convite do governo estadual, Vital Brazil ingressou, em 1897, no Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo, dirigido por Adolfo Lutz. Foi então que tiveram início suas pesquisas. Trabalhou junto com Oswaldo Cruz e Emílio Ribas no combate à peste bubônica, o tifo, a varíola e à febre amarela.

“Recebeu do governo de Rodrigues Alves a Fazenda Butantan, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, onde posteriormente veio a fundar e instalar o Instituto Butantã. Foi lá que desenvolveu, com escassos recursos, importantes trabalhos de pesquisa e produção de medicamentos. Os primeiros tubos de soro antipestoso começaram a ser entregues após quatro meses de trabalho.”

Foi em 1903, após intensa pesquisa que ele conseguiu enunciar cientificamente o soro antiofídico. Desenvolvido a partir de anticorpos produzidos no sangue dos cavalos, depois da injeção de uma pequena quantidade de veneno da própria cobra.

– Após isso, outros soros foram produzidos no Instituto Butantã. Também foram produzidas vacinas contra tifo, varíola, tétano, psitacose, disenteria bacilar e BCG. As sulfas e as penicilinas vieram mais tarde. As picadas de aranhas venenosas, escorpiões e lacraias deram origem a novos soros. Frequentou por longo tempo o Instituto Pasteur. Também é o fundador do Instituto Vital Brazil, em Niterói.

Vital Brazil tornar-se-ia mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico e do tratamento para picada de escorpião.

A importância do grande mineiro

A descoberta de Vital Brazil sobre a especificidade dos soros antipeçonhentos estabeleceu novo conceito na imunologia, e seu trabalho sobre a dosagem dos soros antiofídicos gerou tecnologia inédita. “A criação dos soros antipeçonhentos específicos e o antiofídico polivalente ofereceu à Medicina, pela primeira vez, um produto realmente eficaz no tratamento do acidente ofídico que, sem substituto, permanece salvando centenas de vidas nos últimos cem anos”.

– Consagrado em congresso científico nos Estados Unidos em 1915, o seu trabalho logo despertou o interesse da Europa, onde se encontrava a vanguarda da pesquisa médica da época, e lhe valeu o reconhecimento mundial. O Instituto Butantã representa um marco na ciência experimental brasileira. Desenvolvendo significativo número de pesquisas de elevado teor científico, educando as populações rurais na adoção do tratamento e na prevenção de acidentes ofídicos e criando aquela que foi, possivelmente, a primeira escola de alfabetização de adultos, esse Instituto desempenhou importante papel social na época e tornou-se conhecido e famoso no mundo todo.

Outros caminhos

“Vital Brazil foi o criador do Instituto Butantan, em São Paulo, que foi instalado em uma fazenda antiga e distante da cidade, comprada pelo governo do estado de São Paulo, para que lá pudesse funcionar um laboratório para a produção de vacinas”.

O documento de compra da fazenda tem a data de 24 de dezembro de 1899. A partir desse começo precário e difícil, o Instituto cresceu rapidamente. Em 1901 já produzia os soros antipestoso e antiofídico, daí ter recebido o nome de Instituto Serunterápico do Estado de São Paulo. Em 1925, passou a se chamar Instituto Butantan. O Instituto continua um centro de referência e excelência, em diversas áreas científicas.

Após deixar a direção do Instituto Butantan, em 1919, Vital Brazil foi para o Rio de Janeiro. Convidado por Carlos Chagas para trabalhar em Manguinhos (renomeada FioCruz), ele decidiu fundar um novo laboratório, “por achar que o Brasil necessitava de mais instituições científicas, onde o estudo e a pesquisa se ocupassem da solução de seus graves problemas”.

Fundou, em Niterói, com o apoio do então Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Raul de Morais Veiga, Instituto Vital Brazil, atual Instituto Vital Brazil S. A. (Centro de Pesquisas, Ensino, Desenvolvimento e Produção de Imunobiológicos, Medicamentos, Insumos e Tecnologia para Saúde), em julho de 1919.

As atuais instalações, considerado uma joia da arquitetura moderna, foram projetadas e construídas por Álvaro Vital Brazil, então com 34 anos, filho do cientista Vital Brazil, um dos grandes nomes da arquitetura moderna brasileira ao lado de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, inauguradas em 11 de setembro de 1943 com a presença do presidente da República, Getúlio Vargas. Ocupam uma área de 100 mil m² e edificação de 20 mil m², no bairro de Vital Brazil, na cidade de Niterói, RJ.Sua seriedade, perseverança e dedicação fizeram deste Instituto outro importante centro de pesquisas, único por sua organização em âmbito nacional e reconhecido internacionalmente como estabelecimento científico pelos trabalhos de valor aí realizados.

E Zema qual o ridículo papel?

Minas Gerais poderia estar perfeitamente adequada ao processo de fabricação de medicamentos contra a Coronavac em consórcio com os chineses se não fosse a sanha privatista do governador Romeu Zema, cujo principal objetivo à frente do governo do filho da Surpresa com o Espanto não fosse privatizar, inclusive áreas em que tal pensamento nem próximo deveria passar.

Inclusive uma reunião de responsáveis mineiros por tal desenvolvimento terminou por resultar em flagrante erro mal explicado de horário incompatível, desconhecendo as simples diferenças de fusos horários entre os dois países. O que levou os chineses a cancelar o empreendimento.

Não tem lógica, a não ser o aconselhamento da Fiemg tal comportamento estranho de tal governador, como se o mesmo fosse detentor de conhecimentos a superar todos os governadores que o antecederam, inclusive com a posse de virtudes de adivinhar e de prever pandemias como a atual a assolar o mundo.

Minas Gerais a esta altura das coisas poderia estar exportando vacinas de alta qualidade para muitos países do mundo se não fosse a determinação privatista de um homem que ao se aventurar, a verdade é essa empolga em suas mãos o governo mineiro, transformado no pior governador de todos os tempos.

Será que ele sabe que na cidade de Campanha existe um importante Museu dedicado ao cientista mineiro que criou o Butantã e que lá morou Barbara Heliodora, tendo ainda sido a primeira cidade a abrigar uma sede do Movimento Feminista no Brasil?

A todas as pessoas citadas nesta matéria automaticamente é garantido o direito da resposta no espaço tamanho e corpo.