Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, assumiu em janeiro de 2025 a chefia da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. Desde então, tem enfrentado o desafio de reverter a queda na popularidade do presidente, atribuída a falhas na comunicação e à herança deixada pelo governo anterior
Em entrevista à newsletter “Jogo Político” do jornal O Globo, Sidônio reconheceu que o governo falhou ao não comunicar adequadamente a situação crítica encontrada ao assumir. “Faltou mostrar como o Brasil estava. Se o copo está pela metade, mas ninguém diz que ele estava vazio, a percepção será de escassez”, afirmou.
O ministro destacou que a extrema direita tem sido mais atuante nas redes sociais, disseminando discursos de ódio e fake news. “Fake news está engajando muito nas redes e dando dinheiro. Eles, da direita, são mais atuantes nas redes, e eu acredito que temos que fazer comunicação trabalhando com a verdade apenas. A verdade pode conquistar pessoas, basta ter criatividade”, disse.
Sidônio apontou ainda que a ausência temporária do presidente por questões de saúde, o aumento do dólar, a inflação de alimentos e a desinformação sobre a suposta taxação do Pix contribuíram para a queda na popularidade. “A conjunção desses fatores prejudicou”, reconheceu.
Apesar dos desafios, o ministro acredita que é possível reverter o cenário. Ele citou ações do governo, como a retirada de 24 milhões de pessoas da fome, a ampliação do programa Mais Médicos, a retomada do Minha Casa Minha Vida e a criação do programa Pé-de-Meia, voltado a jovens de baixa renda. “Ainda falta a informação de tudo isso chegar na ponta para a percepção das pessoas mudar”, afirmou.
Sidônio também comentou sobre críticas à estratégia de comunicação do governo, que tem apostado em mídias tradicionais como rádio e TV. “Só porque existe a internet, vou abandonar rádio e TV? Cada meio tem seu papel. Estamos usando todos”, defendeu.
O ministro enfatizou que todos os integrantes do governo têm responsabilidade na comunicação. “Não tem nada de eu me isentar de impopularidade. Eu acho que impopularidade tem responsabilidade de todos os ministros, todas as áreas, área política, gestão, comunicação, todo mundo”, declarou.
Sobre a relação com o público evangélico, Sidônio afirmou que a comunicação deve ser universal. “Acho que o esforço tem que ser o de comunicar os serviços de maneira bem feita tanto para evangélicos quanto para católicos”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de Lula concorrer à reeleição em 2026, o ministro se esquivou. “É uma questão muito íntima dele. Estou aqui para falar do governo, pensando na gestão apenas”, afirmou.
Sidônio também evitou especular sobre possíveis adversários da direita na próxima eleição. “A política é muito rápida e dinâmica. Quem estiver fazendo análise agora, vai errar. Eu não tenho bola de cristal”, concluiu.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

